quinta-feira, 8 de janeiro de 2009





A música Rock (ou simplesmente Rock) é um termo abrangente para definir gênero musical popular que se desenvolveu durante e após a década de 1960. Suas raízes se encontram no rock and roll e no rockabilly que emergiu e se definiu nos Estados Unidos da América no final dos anos quarenta e início dos cinqüenta, que evoluiu do blues, da música country e do rhythm and blues, entre outras influências musicais que ainda incluem o folk, o gospel, o jazz e a música clássica. Todas estas influências combinadas em uma simples estrutura musical baseada no blues que era "rápida, dançável e pegajosa"



Ao contrário dos sistemas democráticos americano e britânico, Portugal regia-se segundo a égide tutelar da ditadura conduzida por Salazar e, obviamente, a nossa actividade cultural reflectiu os traços desse «colete de
forças» institucional, numa prática política que condicionou ao máximo a implantação do rock'n'roll no seio da comunidade adolescente portuguesa.Assim, ao invés das explosões juvenis erguidas em torno de Elvis Presley, Buddy Holly, Chuck Berry, Bill Haley, Little Richard, Jerry Lee Lewis, Eddie Cochran ou Gene Vincent, a geração lusitana emergente do pós-guerra viu-se remetida, pela via do ostracismo político, para um gueto de informação a todos os níveis vigiado. Com a carga social acrescida pela instabilidade existente nas então colónias africanas, a censura portuguesa adoptou uma postura inflexível, apenas permitindo a difusão radiofónica e televisiva do que considerava serem "mensagens aconselháveis" para o desenvolvimento de um promissor intelecto juvenil. A via da rádio era mais tolerante, em especial devido ao facto da maioria dos censores não dominar o idioma inglês.
As temáticas abordadas versavam quase sempre motivos como o amor platónico, a paixão inofensiva ou a aspiração a uma qualquer digna carreira profissional de futuro. Se a este cenário adicionarmos a dificuldade de acesso ao material musical proveniente do exterior - só os mais ricos, como José Cid, a ele tinham direito -, obtemos uma panorâmica global da situação portuguesa face ao rock'n'roll, nos primórdios da década de 60. A juventude portuguesa dividia-se abruptamente entre dois pólos opostos: os académicos e a mão-de-obra não especializada, ou os iletrados, se preferirem, concentrando-se o primeiro grupo nas comunidades universitárias de Lisboa, Porto e Coimbra.Na vertente colectiva e entre 60 a 65, destaque-se o surgimento de grupos como os Jets (onde militava João Alves da Costa, hoje jornalista de «A Bola»), os Espaciais, os Ekos (a que pertencia Mário Guia, futuro proprietário do Rock Rendez Vous), os FBI, os Conchas (em duo), os Claves, o Conjunto João Paulo (cujo líder, Sérgio Borges, alcançou uma enorme notoriedade a solo), os Deltons, os Demónios Negros, os Morgans, os Kriptons, os Diamantes, os Plutónicos, o Conjunto Mistério os Tártaros, os Álamos, os Dakotas e, claro, os Sheiks, embora estes requeiram uma análise individualizada do contexto global, quer pela sua, criatividade, quer pela sua importância histórica ímpar.A solo, a fatia coube a nomes como os de Vítor Gomes e os Gatos Negros, Fernando Conde e os seus Electrónicos (mais tarde com os Las Vegas), Zeca do Rock, Manuel Viegas e Daniel Bacelar and His Gentlemen, tendo também sido acompanhado pelos Siderais e os Fliers. É sobre este segmento que vamos encontrar um impacte mais vincado da escola standard do rock'n'roll, representada quer pelo núcleo americano de Chuck Berry e Buddy Rolly, quer pelos britânicos Rolling Stones e Kinks. Refira-se, por exemplo, a rocambolesca adaptação «Amar, Viver; Sonhar» de Fernando Conde para «Sweet Little Sixleen», de Chuck Berry. Nem todos os nossos músicos pactuavam com a censura. Dois nomes destacaram-se nesse exemplo de coragem: José Cid e Zeca Afonso. Mas, se o segundo, durante a década de 60, sempre preferiu uma existência musical confinada aos limites do fado coimbrão (onde se distinguiu como um dos seus mais célebres cantores e compositores, a par de Luís Goes e Adriano Correia de Oliveira) e da canção popular, José Cid nunca escondeu a sua predilecção pela métrica do rock'n'roll e, em termos cronológicos, pode ser considerado o seu grande pioneiro em Portugal. Para a maioria dos portugueses, hoje, a sua memória do rock em Portugal remonta apenas o «Chico Fininho», o clássico embrionário de Rui Veloso e também a "gota de água" que fez explodir o verdadeiro primeiro boom do rock'n'roll entre nós.